segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A longa noite negra da consciência

A consciência não deve ser negra, branca, amarela ou vermelha, apenas consciência. Afinal, o gênero humano é um só e não cabe mais, cientificamente, o conceito de raças.
“Ciência social, no Brasil, é crime organizado”.
Olavo de Carvalho
O Dia da Consciência Negra foi criado em 9/1/2003, mas é celebrado todos os anos no dia 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares. Muitos municípios brasileiros inventaram um feriado nesse dia, para alegria de uns poucos, como os funcionários públicos e os gazeteiros de sempre.
No dia 20/11/2003, o site O Indivíduo publicou o texto do estudante Pedro Sette-Câmara, "A negra noite da consciência" (*), criticando a “Semana da Consciência Negra”, que estava sendo realizada na PUC carioca. Foi um bafafá e tanto, que rendeu xingamentos sem fim ao escriba, como racista, hitlerista e outros nomes que todo esquerdista gosta de grudar na testa de quem não reza de acordo com sua cartilha politicamente correta.
Uma década depois, pode-se afirmar que a noite negra da consciência nacional continua cada vez mais profunda - e não é por conta unicamente de alguns movimentos negros. Está mais do que comprovado que o marxismo, o gramscismo, o desconstrucionismo à Jacques Derrida, a teoria crítica ou contracultura da Escola de Frankfurt, o politicamente correto, o preconceito linguístico à Pierre Bordieu ou à la Marcos Bagno são correntes afins que têm por objetivo prioritário a destruição da cultura ocidental de origem jucaico-cristã. Com a revolução ideológica dos esquerdistas, pode-se dizer que foi para o brejo “a consciência crítica dos intelecutais, que é fator regulador e filtrador do processo de interpretação” (CURY, 2012: 102-3). Com a pregação da filosofia da miséria, o que restou foi a miséria da filosofia.
A rigor, já são 40 anos que dura a longa noite negra da consciência brasileira, como escreveu Olavo de Carvalho. Dentro desse processo de desconstrução social do Brasil, os movimentos negros têm grande importância ao propor e receber “reparações” de todo tipo em nosso País, por conta da escravidão imposta a seus antepassados, em detrimento da população em geral. Batendo de frente contra a Constituição, que preceitua que todos são iguais perante a lei, independente de raça, religião ou sexo, esses movimentos querem direitos exclusivos por conta da cor de sua pele. Para tal, foram criadas as famigeradas “cotas étnicas”, que eu chamo de “cotas racistas”, configurando um racismo às avessas, o racismo negro. Hoje, existe cota étnica para negros e índios nas universidades e no serviço público. Não contentes com tais privilégios, querem também cotas no Parlamento. Já abordei esse assunto em textos publicados no MSM, como Back2black.
A longa noite negra da consciência, especificamente relacionada aos negros, pode ser comprovada pela importação de tudo o que não presta dos EUA, como o funk e o rap. Vá lá, há algumas poesias de funk e rap que são criativas e legítimas, por mostrar cruamente o que ocorre nas “comunidades” outrora chamadas de “favelas” brasileiras. Como se sabe, o rap (rythm and poetry - ritmo e poesia) é um tipo de “música” que teve origem na periferia de grandes cidades norte-americanas, especialmente em guetos de negros, muitas vezes pregando a violência. “Nos últimos anos, houve debates acalorados dentro da comunidade negra e da mídia dominante após o suposto louvor à formação de gangues, à violência e às drogas por parte dos rappers” (KELLNER, 2001: 239). 
A pregação de violência nos morros cariocas, especialmente contra a PM, pode ser conferida com o rapper Mr. Catra, do CD pirata “Proibidão”:
“Cachorro (PM),
Se quer ganhar um dindim (dinheiro),
Vende o X-9 (delator) pra mim
O patrão (chefe do tráfico) tava preso,
Mas mandou avisar
Que a sua sentença nós vamos executar
E com bala HK (fuzil)”.
E o que disse o então secretário estadual de Direitos Humanos do Rio, João Luiz Duboc Pinaud (que é primo de Mr. Catra)? “É um rapaz muito inteligente e sensível”
Junto com o rap e o funk, veio o ebonics, a língua inglesa negra dos EUA, que ignora verbos, suas conjugações e a pronúncia. O termo originou-se de ebony e phonics. Lá como cá, é moda falar errado, dentro dos conceitos do preconceito linguístico do tipo “é nóis” ou “nóis pega os peixe”, como foi visto em cartilha do MEC.
Outra invenção americana foi a “teologia negra”, a qual, por sorte, ainda não deitou raízes por aqui. Por enquanto. Afinal, se muitos mulatos brasileiros se declaram negros puros, rejeitando o DNA do sangue branco que corre em suas veias, tudo é possível. “O marxismo - como movimento revolucionário - procura conquistar o poder fomentando conflitos sociais. Nos Estados Unidos, a boa situação financeira dos trabalhadores industriais os imuniza contra o vírus da luta de classe. Não podendo fomentar o ódio social da luta de classe, o marxismo pretende, atualmente, nos Estados Unidos, fomentar a luta racial. A este diabólico serve a ‘Teologia Negra’. O principal (porém não o único) representante da teologia negra é James Cone. Nascido em 1938, no seio da comunidade negra norte-americana, é licenciado em teologia pelo Seminário protestante de Evanston (Illinois) e doutorado pela Northwestern University. Seu primeiro e mais importante livro, Teologia Negra e Poder Negro, foi editado em 1969; e em 1970, publicou Teologia Negra da Libertação. (Miguel Paradowski, in “A Teologia Negra”, Verbo, Espanha, maio/julho/75). Para Cone, a teologia é uma obra coletiva, comunitária, mas somente quando surgida na “comunidade dos oprimidos”; para o teólogo racista, “somente uma comunidade dos oprimidos é uma comunidade cristã”. Por isso, para Cone, a “teologia branca” é a “teologia do Anticristo” e, para ser cristã, a “teologia branca deve transformar-se em teologia negra, renegando a brancura como forma adequada do existir humano e afirmando a negritude como a intenção de Deus para a humanidade”. A Teologia Negra tem a mesma tendência que qualquer grupo de contestação política radical: “transformar a comunidade tradicional em grupos de ação, isto é, transformar a instituição em energia social - postulado do marxismo revolucionário” (Sig. Altmann, redator dos temas religiosos do Der Spiegelin “Adeus, Igreja”, Una Voce, jan/março/75).
Afinal, o que de importante, culturalmente, foi criado pela comunidade negra nos últimos anos no Brasil, além de violentos raps e funks que glamourizam a violência e a promiscuidade? A caxirola? Pois é, o troço foi proibido de ser usado na Copa do Mundo no Brasil em 2014, depois que expectadores jogaram a estranheza na cabeça dos jogadores em jogo realizado em Salvador, Bahia, a cidade que criou a tal coisa. Lá se foi para o ralo o sonho bilionário de Carlinhos Brown... 
O baiano Francisco Félix de Souza nasceu em 1771, filho de um português com uma escrava. Alforriado aos 17 anos, mudou-se para a terra dos seus ancestrais, na África. “Assim, em 1788, Francisco Félix de Souza desembarcou em Benin e, por ironia do destino, tornou-se um próspero traficante de escravos. Morreu aos 94 anos, teve 53 mulheres, oitenta filhos e 12.000 escravos, deixando aos herdeiros um fabuloso império de 120 milhões de dólares, em dinheiro de hoje” (Alexandre Oltramari, in “Pelas lentes da história”, revista Veja, 10/12/2003, pg. 115).
Uma das últimas alucinações brasileiras é o movimento “Reparações Já”. Idealizado pelo Núcleo de Consciência Negra (NCN), o movimento surgiu em 1993, na Bahia, e pleiteia que o Estado brasileiro indenize a cada descendente de escravo africano pelo trabalho gratuito de seus ancestrais, ou seja, “todos os negros e mestiços do país”. Não tenho dúvida de que esses senhores, caso tivessem vivido no tempo da escravidão, também teriam seus escravos, como ocorreu com Zumbi dos Palmares e Francisco Félix de Souza. A indenização pretendida pelo movimento é de US$ 102 mil para cada descendente de escravo. Eu concordo em pagar minha parcela, desde que, antes, eu tenha o direito de ter uma dúzia de escravos e algumas jovens mulatas para me acalentar nas minhas horas tristes... 
O jornalista Nelson Ramos Barretto, autor de famosa trilogia sobre indígenas, quilombolas e MST, lembra como o movimento negro substituiu a bondosa Princesa Isabel por Zumbi, um escravocrata que espalhava o terror nas populações vizinhas a partir do Quilombo dos Palmares. Barretto apresenta uma prova de que “Zumbi mantinha escravos de tribos inimigas para os trabalhos do quilombo”, tirada do livro Divisões Perigosas, de José de Souza Martins (Ed. Civilização Brasileira, Rio, 2007, pg. 99): “Os escravos que se recusavam a fugir das fazendas e ir para os quilombos eram capturados e convertidos em cativos dos quilombos. A luta de Palmares não era contra a iniquidade desumanizadora da escravidão. Era apenas recusa da escravidão própria, mas não da escravidão alheia. As etnias de que procederam os escravos negros do Brasil praticavam e praticam a escravidão ainda hoje, na África. Não raro capturavam seus iguais para vendê-los aos traficantes. Ainda o fazem. Não faz muito tempo, os bantos, do mesmo grupo linguístico de que procede Zumbi, foram denunciados na ONU por escravizarem pigmeus nos Camarões” (BARRETTO, 2007: 20). 
“Nos anos 70, os historiadores marxistas projetaram no Quilombo de Palmares tudo o que imaginavam de sagrado para uma sociedade comunista: igualdade, relações de trabalho pacíficas e comida para todos. Sabe-se hoje que o quilombo do século 17 estava mais para um reino africano daquela época que para uma sociedade de moldes que surgiram mais de um século depois. Zumbi provavelmente descendia de imbangalas, os ‘senhores da guerra’ da África Centro-Ocidental. Guerreiros temidos, eles habitavam vilarejos fortificados, de onde partiam para saques e sequestros dos camponeses de regiões próximas. Durante o ataque a comunidades vizinhas, recrutavam garotos, que depois transformariam em guerreiros, e adultos para trocar por ferramentas e armas. Esse modo de vida é bem parecido ao descrito por quem conheceu o Quilombo dos Palmares. ‘Quando alguns negros fugiam, mandava-lhes crioulos no encalço e uma vez pegados, eram mortos, de sorte que entre eles reinava o temor’, afirma o capitão holandês João Blaer”.
(Leandro Narloch, in “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” - http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/10631-guia-politicamente-incorreto-da-historia-do-brasil.html, acesso em 10/6/2011).
Resumo da opereta: a consciência não deve ser negra, branca, amarela ou vermelha, apenas consciência. Afinal, o gênero humano é um só e não cabe mais, cientificamente, o conceito de raças, a não ser para os racistas, que se aproveitam de leis espúrias e antidemocráticas para obter, não direitos, mas regalias que não merecem. 
Que saudade dos compositores e cantores negros americanos do negro spiritual, do blues, do jazz, ou dos antigos compositores negros brasileiros do samba e do chorinho. O clássico, em todas as artes, infelizmente sumiu além do horizonte, dando lugar à mais pura baixaria. E isso não acontece somente entre a cultura negra. O que temos hoje é a esbórnia total no teatro, no cinema, na televisão, na cultura e nas canções. Dignidade, nunca mais!

Notas:


BARRETTO, Nelson Ramos. A Revolução Quilombola - Guerra racial, confisco agrário e urbano, coletivismo. Editora Artpress, São Paulo, 2007.
CURY, Augusto. O Colecionador de Lágrimas - Holocausto nunca mais. Planeta, São Paulo, 2012.
KELLNER, Douglas. A cultura da mídia - Estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o pós-moderno. EDUSC, São Paulo, 2001 (Tradução de Ivone Castilho Benedetti).
(*) A Negra Noite da Consciência
Pedro Sette-Câmara
Às vezes me pergunto em que país eu vivo. Porém, o testemunho da minha consciência me faz ver que a loucura que gera esta questão tem origem nos outros, e não numa possível ilusão geográfica minha. Eu continuo são, e meus olhos não me enganam. A única coisa que persiste é, talvez, a sensação de que eu preferia estar profundamente errado ou meio doido mesmo.
 
Foi exatamente assim que eu me senti ao descobrir que se realizaria na PUC uma Semana de Consciência Negra, um evento inspirado na idéia norte-americana do politicamente correto. Acredito mesmo que isso só possa ser fruto da tal colonização cultural, um fenômeno que, em tempos de globalização, ficou meio esquecido, mas que, infelizmente, existe sim: basta olhar para os negros brasileiros, que, em termos de aceitação social, têm uma vida muito melhor do que a dos negros americanos - lá nos EUA existe racismo mesmo - querendo importar os problemas deles. Se pudéssemos apontar qual o maior exemplo - quiçá único - que o Brasil dá à humanidade, ele está na convivência interracial e multicultural.
 
Só aqui, na TV, passa comercial de programa árabe durante o programa judeu. Só aqui todo mundo convive muito bem, sem Ku Klux Klan e sem ódio étnico. A única parte que assume isso são os skinheads e todo mundo sabe muito bem que eles são considerados um grupo malévolo à parte que deve ser combatido. (Alguém pode dizer: aqui o racismo é sutil. Eu pergunto: o que é racismo sutil? Quem não gosta de uma raça sempre manifesta isso de uma maneira que qualquer espírito, ainda que não muito sutil, percebe.)
 
O grande racismo, nada sutil, mas que pouca gente percebe, está em eventos como esta Semana de Consciência Negra. Primeiro, porque ninguém acharia bonito se fizéssemos uma Semana da Consciência Branca. Promover uma raça, qualquer que seja, é racismo. E eu não vejo nenhuma razão para tolerar nos outros o que eles pretendem condenar em mim. A única razão que se poderia alegar para que eu tolerasse isso é uma certa infantilidade da parte deles. É em criança que se tolera esse tipo de atitude. Donde se conclui o óbvio: uma Semana de Consciência Negra depõe contra a própria raça negra, como se esta fosse composta de pessoas que precisassem desesperadamente de auto-afirmação.
 
Auto-afirmação, aliás, equivocada: nenhuma produção de cultura negra será boa ou relevante para a humanidade por ser negra, mas por ser cultura (não no sentido antropológico do termo). O poeta Cruz e Souza não se destaca como um poeta de relevância universal por ter sido negro, mas pelo valor da sua poesia, que teria o mesmo valor se tivesse sido escrita por um viking. Querer falar de uma consciência negra como se esta fosse essencialmente diferente de uma consciência branca, ou árabe, é realmente estúpido. Porque, sendo diferente, e havendo tamanho esforço para celebrá-la e estimulá-la, só se pode concluir que ela seja ou superior ou inferior às outras.
 
Faz-se tanto pelo consciência negra para ajudar ao mais fraco; ou então celebra-se tanto a consciência negra poe ela ser superior, a base mesmo da nossa civilização. A primeira é um nazismo patético às avessas; a segunda é nazismo mesmo - e com nazista eu não converso. Um argumento que é utilizado pela comunidade negra (já pensou como soaria comunidade branca?) é o de reparação. Reparação das injustiças que foram cometidas contra os negros, escravizando-os, tirando-os da sua terra, etc. Bem.
 
Os faraós egípcios, que, segundo alguns, eram negros, escravizaram vários povos durante mais de mil anos. A escravidão era prática comum entre as tribos africanas e todos sabemos que os negros das tribos mais fortes foram cúmplices dos europeus no comércio de escravos. Assim sendo, sugiro que os negros que desejam reparação façam árvores genealógicas para ir cobrá-la dos descendentes dos negros escravizadores. E, antes disso, peçam a conta a todos os povos escravizados pelos egípcios.
 
O pior mesmo é que ninguém atenta para isto. Só quando trouxerem a prática norte-americana (já banida) de ação afirmativa é que vão perceber. Houve na PUC, durante a Semana, um seminário sobre o tema. Para quem não sabe, "ação afirmativa (affirmative action mesmo) é uma prática evidentemente racista que consiste em garantir uma porcentagem x de lugares para as minorias em certos meios dos quais elas se sentem excluídas - por exemplo, as universidades. Evidentemente racista porque toda decisão tomada com base em raça é racista. Assim, as universidades são obrigadas por lei a admitir tantos negros, de acordo com uma proporção matemática extraída no número de negros na região.
 
A grande diferença dos EUA para o Brasil, neste sentido, é que lá, na hora de você entrar na universidade - falo por experiência própria - você fundamentalmente manda o seu currículo. Aqui no Brasil o sistema é de vestibular, e cada universidade tem o seu. Já imaginaram a beleza que vai ser, se a ação afirmativa vier para cá, o vestibular? Salas para negros - que ou farão provas bem mais fáceis ou terão critérios mais brandos de avaliação, já que a universidade é obrigada por lei a ter em seus quadros um percentual predeterminado de alunos negros - e salas para brancos? Isto aí é ou não é a explicitação de uma demência completa? Ninguém vê porque a consciência mesma, seja negra, branca, grega ou troiana, está mergulhada numa noite de preconceitos.
 
E o preconceito é um tipo de cegueira intelectual. São cegos perdidos à noite que só tem outros cegos para os guiarem e que crêem que a cura da cegueira seja mais cegueira. O ruim com o ruim não dá bom: dá pior. Estas práticas, que só aumentaram o racismo nos EUA, produzirão um efeito muito mais nefasto no Brasil, que apesar de não ter valores culturais tão arraigados, têm como maior valor a boa convivência racial. Todo este discurso só vai ter como único resultado a importação de um problema que nós não temos. Vão inventar a consciência de uma contradição que não existe, e o Brasil vai dar mais um passo para longe da realidade.
 

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